sábado, 22 de janeiro de 2011

Untitled

Minhas mãos tateiam procurando algo nessa escuridão. É impossível enxergar o que vem pela frente, e só consigo me machucar por cair frequentemente.
Os batimentos fracos de um coração despedaçado que não aceita sua partida. Lágrimas percorrem todo o meu rosto e pescoço até se perderem dentro de
minha roupa.
Um vazio que reflete em minha alma e faz minha mente gritar. Múltiplos sentimentos torturantes que só se amenizaram com um longo tempo.
Todas as caixas de remédios encontradas já foram tomadas, e a pele já foi ferida, mas dores físicas não são sentidas.
Nada mais importa e não há consolo que amenize a perda.
Sei que a vida continua, e só com o tempo e as distrações tudo se anestesiará. Mas agora não há nada que eu possa fazer a não ser suportar toda a dor.

Inexistência

Parar de pensar é como parar de viver. Seu coração continua batendo, mas você só um corpo oco pela falta de pensar.
Mas tente parar de pensar, você não vai consegui. Pelo menos não por muito tempo.
Você é movido a idéias, e as idéias são movidas pelo pensamento.
E a doença da falta de idéias? É sua mente morrendo aos poucos, é você deixando de existir no seu mundo interior, é você automático.
Seus sentimentos vão se afastando, você vai se tornando um vazio. Um ninguém.
Você observa a vida, observa as pessoas, observa tudo, mas não vê sentido algum.
Você se pergunta sua utilidade e não há respostas. Sua vida é um quebra cabeça sem solução, as peças não se encaixam. Não mais.
Você teve toda uma vida para trás, amantes e amigos. Mas e agora? E depois?
Não há nada. Não há um trem a se esperar, não há uma jornada, não há um destino.

Você não existe mais.